Isto é uma vergonha. Alheia.
Galera bruta, feliz ano novo!
Acabo de voltar de Ipameri onde fui passar o ano novo. Em outra história eu já havia falado sobre como eu gosto dessa e de outras cidades do interior do Goiás. Acontece que desta vez voltei bastante decepcionado com cenas que presenciei. A pacata cidade que deixei após o carnaval de 2009 já não existia no reveillon do mesmo ano.
Drogas, violência, abusos, ganância.
Eu fico pensando se ainda existem cidades interioranas no Brasil que não tenham sido tomadas pelos vÃcios das grandes cidades. Contaminam-se à uma velocidade impressionante.
O miasma da corrupção impregna o ar do paÃs. São gerações e gerações de pessoas que seduzem-se pelas facilidades do “jeitinho”, que desistem de trabalhar logo que defrontam-se com as primeiras dificuldades e vão pelo caminho mais largo da bandidagem. São gerações que aprenderam a não olhar nos olhos uns dos outros e, por ficarem intimidados, partem pra violência gratuita. Dizem que não, mas odeiam gays, odeiam negros, odeiam nordestinos, odeiam Ãndios. É a galera que tá aqui em BrasÃlia na porta da sede do governo, indignada, exigindo que o ladrão do Arruda renuncie, mas que, ao sair do protesto, ou pega ou faz lotação pirata.
Como se muda uma cultura? Como extirpar preconceitos arraigados? Como dar o exemplo?
Um ponto importante é reconhecer que somos preconceituosos sim. Que aprendemos desde cedo a dar “jeitinhos”. Que não aprendemos desde cedo a respeitar os diferentes e as diferenças.
Depois desse reconhecimento, outro passo importante é manter a cautela pra não descambar pro vira-latismo que nos é peculiar:
-Já que essa terra e esse povo não presta, vamo embora pra Europa e danem-se esses pretos pobres que ficam.
O Boris Casoy que desrespeita os garis é um espelho dessa nossa realidade. Os corruptos indignados que xingam o Boris Casoy de viado velho são outro reflexo dessa mesma realidade.
O reconhecimento da debilidade moral de nossa constituição de cultura e cidadania é apenas uma preliminar. Atitudes mais enérgicas têm que ser tomadas. Da minha parte, vou fazer o possÃvel pra agir com mais consciência em tudo o que desde criança fui ensinado quanto ao certo e justo e quanto ao errado e injusto. Vou usar esse mesmo critério para, hoje, disciplinar os meus sobrinhos e no futuro usar dos mesmos critérios para com meus filhos.
Nós somos capazer de aprender. Só paramos de aprender quando morremos. Nossa sociedade hoje muda e evolui, para o bem ou para o mal, muito mais rápido do que eu sou capaz de escrever este texto. Então ferramentas para limpar esse ar miásmatico nós temos. De onde tirar coragem pra calar a boca daqueles que dizem que somos uma nação de bandidos?
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Um comentario
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January 2nd, 2010
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