Charles Brutowski
Alguns escritores nascem em berços de ouro, estudam em universidades renomadas, falam besteiras mil sobre coisas que nem conhecem e essas bossas. Quando mortos, ganham reedição, debates, homenagens, mostras e todo esse (desculpem-me o termo) “circle-jerking” de intelectualóides verborrágicos. Tudo isso, e os paneleiros nem a sair na chuva tinham coragem.
Não com Charles Bukowski.
Bukowski nasceu na Alemanha, foi para os EUA, trabalhou de carteiro, mecânico, escrivão, e qualquer coisa que lhe rendesse um trago no peito e um gole na alma ao fim do dia. Sempre um beberrão, sempre um mulherengo, sempre considerado uma biografia ambulante da cidade de Los Angeles.
Criador do personagem Henry Chinaski (que era nada mais que Bukowski nos papéis), manda-nos em um tour pelo lado mais profano de L.A., escancarando toda a podridão humana e profanando tudo o que vier pela frente. Um dos melhores escritores e poetas marginais do século XX, elevando-se a uma brutalidade quase inatingível, hoje idolatrada pela nata do que já foi o underground, como os brasileiros Angeli e Glauco Mattoso, além de ser um grande contemporâneo do movimento beat.
Morreu em 1994, vítima da vida. Vítima dos cavalos de corrida, dos tragos, da imundície que o cercava, da poeira que assenta-se sobre tudo o que existe em L.A. Morreu bruto. Morreu delirante no próprio cotidiano. Morreu símbolo da brutalidade.
Abaixo, um comentário de Bukowski, sobre seu melhor amigo:
“O álcool é provavelmente uma das melhores coisas que chegaram à Terra, além de mim. Nos entendemos bem. É destrutivo para a maioria das pessoas, mas eu sou um caso à parte. Faço todo o meu trabalho criativo quando estou intoxicado. O álcool, inclusive, me ajudou muito com as mulheres. Sempre fui reticente durante o sexo, e ele me permitiu ser mais livre na cama. É uma liberação porque basicamente eu sou uma pessoa tímida e introvertida, e ele me permite ser este herói que atravessa o espaço e o tempo, fazendo uma porção de coisas atrevidas… O álcool gosta de mim.”
Jorge Amado que me perdoe, mas brutalidade é essencial.
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Um comentario
Ionas
October 22nd, 2008
2:49 pm
Charles Bukowski, brutalidade etílica esclarecedora: “Drinking is an emotional thing. It joggles you out of the standardism of everyday life, out of everything being the same. It yanks you out of your body and your mind and throws you against the wall. I have the feeling that drinking is a form of suicide where you’re allowed to return to life and begin all over the next day. It’s like killing yourself, and then you’re reborn. I guess I’ve lived about ten or fifteen thousand lives now.”
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